Reunião sinaliza mais atraso para motoristas do Consórcio Guaicurus: ‘A gente só quer receber’

Mais uma vez, o Consórcio Guaicurus sinaliza que deve manter o atraso do salário dos motoristas. Mesmo com contrato bilionário, a empresa alega falta de dinheiro para pagar trabalhadores. Após reunião, representante dos motoristas se mostra descrente com a possibilidade de pagamento e levanta a possibilidade de  na quinta-feira (11). “A gente só quer receber“, diz Demétrio Freitas, presidente do SSTTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo e Urbano de Campo Grande).

O sindicalista afirmou que tem esperança de receber os valores devidos, mas a sinalização é contrária. “Pela conversa que a gente teve ontem, na reunião à tarde, acho que vai ser muito difícil. Mas esperança a gente tem, quanto mais rápido a gente receber, melhor é”, afirma Demétrio Freitas. A categoria teme também o atraso no pagamento do 13° e do adiantamento salarial, marcado para 20 de dezembro.

Sindicalistas e representantes da empresa reuniram-se na tarde de segunda-feira (8) para discutir o problema. O salário dos 1.100 trabalhadores deveria ter sido depositado no 5° dia útil, mas ainda não caiu na conta. O sindicato realizará assembleia na quinta-feira (11) para deliberar se irão paralisar ou continuar esperando o pagamento enquanto ainda operam as frotas de transporte público.

Demétrio Freitas afirma que o Consórcio Guaicurus não dá detalhes sobre quanto dinheiro falta para pagar os motoristas, mas alega falta de repasses públicos. “É muito difícil opinar, a gente tem que acreditar no que eles estão falando, que não tem dinheiro para pagar. A gente não consegue essas informações de receita, não sabemos quanto eles faturam”. No fim de novembro, perícia confirmou lucro de R$ 68 milhões nos sete primeiros anos de concessão do Consórcio Guaicurus.

Motivo do atraso

A empresa, que já faturou mais de R$ 1,8 bilhão desde que assumiu o serviço, atribui a incapacidade de honrar os compromissos trabalhistas à  de repasses devidos pelo Poder Público. Não à toa, a empresa recorre constantemente à Justiça para forçar o repasse de mais verba pública aos cofres privados do grupo.

Além dos convênios com o Poder Público, o transporte coletivo ainda obtém receitas oriundas das tarifas dos usuários e de publicidade busdoor.

A empresa classifica a situação como crítica e solicita providências urgentes das autoridades competentes para a regularização dos débitos. Um pedido de intervenção no transporte público já foi apresentado à Prefeitura da Capital e mobiliza assinatura de populares para que seja designado um agente que possa avaliar a operação e, se possível, colocar o serviço em ordem após diversos indícios de ingerência, negligência e incompetência dos chefes do Consórcio.

O comunicado ainda destaca que a não regularização dos supostos débitos pode resultar na interrupção da prestação dos serviços, a exemplo do que ocorreu recentemente, quando motoristas teriam sido forçados a cruzar os braços por cerca de duas horas, no início da manhã do dia 22 de outubro, sob a justificativa de não pagamento do vale salarial.

 

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