Filho de PM assassinada por namorado pede para que mãe não seja ‘condenada’
“Eu sei que o tribunal da internet já condenou como absurdo o fato da minha mãe ter se relacionado com alguém de ficha criminal extensa”: assim começa o desabafo e pedido do filho Marcus Rodrigues, para que não ‘condenem’ a mãe, a subtenente da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, assassinada pelo namorado, Gilberto Jarson, preso pelo crime.
Nas redes sociais, Marcus fala sobre a manipulação e fingimento de narcisistas para conseguirem o que querem, “Mas narcisistas são assim, fingem, manipulam… O grande sonho da vida deles é alguém de coração igual ao da minha mãe. E não foi algo de uma hora pra outra, vão minando a autoestima, afastam daqueles que querem alertar, além de se aproveitar de situações específicas (no caso dela, os filhos se casando e saindo de casa)”, dizia parte do relato nas redes sociais.
“Pelo número de pessoas presentes até o final do funeral dela, por tantos rostos chorosos e relatos bons sobre ela, poderiam ver que ela era além de uma estatística de f3m1n1cídiO. Entre tantos relatos, era sobre o coração dela em ajudar, mudar vida de pessoas, de alegrar dias, independente de quem fosse. Os últimos anos dela na PM foram exatamente assim, visitando colegas aposentados, orando com eles, cantando pra eles, levando palavra de conforto aos que se encontravam em situação ruim. Nas células que eu fazia na casa dela, sempre recebeu a todos muito bem, independente de quem eram ou de onde vieram. E isso não é conversa de “agora que se foi, vamos falar bem”.”, fala Marcus.
Em outro trecho, o filho de Marlene relata sobre o que Gilberto fez com sua mãe, “Foi um trabalho minucioso da parte dele até culminar nisso. Quem já foi vítima de narcisista e conseguiu se libertar vai poder te explicar melhor o que tô te dizendo.”.
“Por isso peço, não a condenem. É muito fácil aí do seu celular você pensar: “eu nunca cairia numa dessa”, mas dá uma olhada ao redor, pode ter alguém aí que você ama passando por isso nesse momento, e ajuda essa pessoa, ainda dá tempo! Pra mim agora só ficam os “e se”
E a todos, desejo que sintam um pouco do amor que ela quis espalhar por onde passava! Jesus ama todos vocês!.”, termina pedindo para que não ‘condenem’ a mãe pela sua morte.
Feminicídio
O crime ocorreu no horário do almoço e, após dar versões contraditórias dos fatos, o namorado de Marlene, Gilberto, foi preso em flagrante pelo feminicídio. Conforme detalhes da PM (Polícia Militar), um vizinho policial foi o primeiro a chegar ao local do crime. Outra vizinha ouviu o tiro e comunicou ao policial militar, que então foi até a casa e encontrou Gilberto com as mãos ensanguentadas.
Segundo o soldado, ele questionou o suspeito sobre Marlene, mas ele não respondeu. Como o portão estava trancado, solicitou que Gilberto abrisse, mas ele demorou. Por isso, o militar pulou o muro da casa.
Gilberto estava falando ao telefone, com a arma na mão direita. Então, o PM ordenou que o namorado de Marlene soltasse a arma, um revólver, e ele o colocou em cima de um baú.
Quando o vizinho entrou na casa, Marlene ainda tinha sinais vitais, então, ele acionou socorro via 192, 193 e 190, mas ela não resistiu. Além do policial, outros vizinhos confirmaram que as brigas de casal eram frequentes.
Uma testemunha chegou a dizer que ouvia sempre Gilberto gritando com Marlene e que, em determinada ocasião, ouviu a mulher gritar por socorro. Após os fatos, as equipes do 9º Batalhão da PMMS foram acionadas e estiveram no local.
Aos policiais, Gilberto deu versões diferentes dos fatos. Em determinado momento, disse que ligou para a polícia após o tiro e mostrou o celular. Então, os militares identificaram também uma chamada para o advogado do suspeito.
Gilberto afirmou que a ligação ocorreu porque tinha provas de que a vítima “manifestava intenção de cometer suicídio”. Afirmou também que não houve discussão ou desentendimento na data dos fatos.
Feminicídios de 2026 em MS:
- Josefa dos Santos (Bela Vista) – 16 de janeiro;
- Rosana Candia Ohara (Corumbá) – 24 de janeiro;
- Nilza de Almeida Lima (Coxim) – 22 de fevereiro;
- Beatriz Benevides da Silva (Três Lagoas) – 25 de fevereiro;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte (Ponta Porã) – 6 de março;
- Leise Aparecida Cruz (Anastácio) – 6 de março;
- Ereni Benites (Paranhos) – 8 de março;
- Fátima Aparecida da Silva (Selvíria) – 23 de março;
- Marlene de Brito Rodrigues (Campo Grande) – 6 de abril.

