Sucessione: Justiça mantém advogado preso em ação contra jogo do bicho em MS
O advogado Rhiad Abdulahad deverá permanecer preso sob acusação de envolvimento com o jogo do bicho em Mato Grosso do Sul. A decisão é do juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande.
Conforme o Gaeco, Rhiado assumiu o lugar do pai, José Eduardo Abdulahad (Zeizo) – foragido desde 2023, no esquema. O advogado é um dos 18 presos na quarta fase da Sucessione, que implicou o clã Razuk como líder do grupo criminoso.
A defesa de Rhiad alegou que o advogado precisa cumprir prisão domiciliar para ajudar nos cuidados do filho, com síndrome de Down. Mas o juiz negou, alegando que a prisão domiciliar obriga a pessoa a ficar em casa, o que é incompatível com a alegação de que o acusado precisaria sair várias vezes por semana para levar a criança para consultas e terapias.
A denúncia do Gaeco acusa Rhiad de articulação dentro do esquema do jogo do bicho, ocupando função de gerência no clã Razuk.
A defesa afirma que não há nos autos “qualquer ato material e individualizado praticado pelo requerente que ultrapasse, de forma inequívoca, o regular exercício da advocacia”.
Audiência sobre o caso foi realizada no começo do mês.
Advogado assumiu lugar do pai em esquema do jogo do bicho
Seguindo o mesmo padrão de “negócio familiar” no jogo do bicho em Mato Grosso do Sul, o advogado Rhiad Abdulahad assumiu posto de liderança em organização criminosa que tentava comandar a contravenção no Estado, conforme apontou investigação do Gaeco.
O MPMS cita a passagem de bastão de José Eduardo Abdulahad, o Zeizo, ao filho, Rhiad. José Eduardo foi alvo de mandado de prisão na primeira fase da Successione, em dezembro de 2023. Entretanto, não foi encontrado e segue foragido.
Isso porque o Gaeco identificou que o grupo tentou assumir o controle do jogo do bicho em Campo Grande após a derrocada da família Name na Operação Omertà, em dezembro de 2019. Desta vez, o clã ativo seria os Razuk.
O inquérito traz que Rhiad “assumiu o posto de articulação e comando após a deflagração da Operação Successione, atuando para abertura de novas frentes de atuação”. Ele desempenhou as funções que eram do pai.
“[…] gozando da confiança da liderança principal da ORCRIM e tendo vasto conhecimento acerca das atividades desenvolvidas pelo grupo criminoso, as quais excedem em muito o exercício da advocacia em prol da organização, adentrando na seara criminal”, traz a decisão a juíza May Melke Amaral Penteado Siravegna, do Núcleo de Garantias de Campo Grande, que autorizou a nova ação.
Segundo o MP, quebra do sigilo telefônico mostrou que Rhiad foi indicado pelo próprio pai. O advogado ainda teria a função de decidir sobre a expansão e as novas formas de implementação do jogo do bicho e outros jogos de azar.
Família Razuk e mais 20 são denunciados e serão julgados por jogo do bicho
O MPMS, por meio do Gaeco, ofereceu denúncia contra o ex-deputado estadual Neno Razuk, seu pai, o ex-deputado Roberto Razuk, e seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk.
A peça acusatória, protocolada no dia 10 de dezembro de 2025, no âmbito da 4ª fase da Operação Successione, aponta o clã como a cúpula de uma organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar, utilizando-se de corrupção, lavagem de dinheiro e roubos para assegurar o monopólio da contravenção no Estado.

