Agosto Lilás começa sob o peso de 19 mulheres assassinadas em Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul inicia a campanha Agosto Lilás com um cenário que reforça o tamanho do desafio no enfrentamento à violência contra a mulher. Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que 19 mulheres foram vítimas de feminicídio entre 1º de janeiro e 4 de agosto de 2026.
No mesmo período, 12.245 mulheres procuraram ajuda após sofrerem violência doméstica, evidenciando que os casos de agressão continuam em patamares elevados no Estado.
A rede de proteção também registra forte demanda. Até o início de agosto, foram 11.623 pedidos de medidas protetivas, dos quais 10.806 foram concedidos pelo Poder Judiciário.
Apesar disso, a polícia contabilizou 1.985 ocorrências de descumprimento dessas medidas, situação que demonstra que, em muitos casos, a determinação judicial não é suficiente para impedir novas ameaças ou agressões.
Série histórica
Embora os números de 2026 ainda sejam parciais, a série histórica mostra que o feminicídio permanece como um problema estrutural em Mato Grosso do Sul.
Os dados revelam que o Estado mantém, há vários anos, índices elevados desse tipo de crime, figurando frequentemente entre as unidades da Federação com as maiores taxas proporcionais de feminicídio do país.

Dados do FBSP
O levantamento mais recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) traz as taxas de feminicídio por 100 mil mulheres em 2025, permitindo comparar as unidades da Federação.
| Posição | Unidade da Federação | Taxa por 100 mil mulheres |
|---|---|---|
| 1 | Acre | 3,2 |
| 2 | Rondônia | 2,9 |
| 3 | Mato Grosso do Sul | 2,7 |
| 4 | Mato Grosso | 2,5 |
| 5 | Tocantins | 2,4 |
| 6 | Piauí | 2,3 |
| 7 | Paraná | 2,2 |
| 8 | Goiás | 2,1 |
| 9 | Roraima | 2,0 |
| 10 | Espírito Santo | 2,0 |
A média nacional foi de aproximadamente 1,6 feminicídio por 100 mil mulheres, com 1.568 vítimas registradas em 2025, o maior número da série histórica.
Destaque para Mato Grosso do Sul
- Taxa: 2,7 feminicídios por 100 mil mulheres
- Posição nacional: 3º lugar
- O índice é cerca de 69% superior à média brasileira (1,6).
Desafio vai além da punição
Grande parte das vítimas já havia sofrido episódios anteriores de violência doméstica ou convivia com ameaças constantes antes do assassinato. Por isso, fortalecer os mecanismos de prevenção, ampliar o acompanhamento de mulheres em situação de risco e garantir o cumprimento efetivo das medidas protetivas são considerados passos fundamentais para reduzir os índices.
Além da atuação do poder público, campanhas como o Agosto Lilás buscam conscientizar a população sobre a importância da denúncia e do enfrentamento à violência de gênero.
Mulheres vítimas de violência podem buscar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), da Polícia Militar (190) ou das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e Salas Lilás existentes no Estado.


