Amber Alert: entenda o sistema que notificou desaparecimento de bebê sequestrada em MS

Nesta sexta-feira (7), o Ministério da Justiça e Segurança Pública emitiu um alerta pelo portal Amber Alert Brasil sobre o desaparecimento de uma recém-nascida, de 28 dias, em .

A bebê não teve o nome registrado oficialmente pelos pais, mas é identificada como Ayla Emanuelly Pereira de Souza. O caso é o único desaparecimento divulgado atualmente pelo sistema.

O Amber Alert é um programa de alerta criado para ajudar na localização de crianças ou adolescentes vítimas de sequestro ou rapto. No Brasil, o programa é usado em casos recentes que atendem a critérios específicos.

Quando um alerta é emitido, informações sobre a criança desaparecida são divulgadas em plataformas da Meta, como Facebook e Instagram. As publicações podem trazer características da vítima e informações sobre possíveis suspeitos.

Como surgiu o Amber Alert

O sistema foi criado em 1996, no estado do Texas, nos Estados Unidos, após o sequestro e assassinato de Amber Hagerman, uma menina de 9 anos.

Amber foi levada por um homem enquanto andava de bicicleta com o irmão em um estacionamento. O caso chocou a comunidade e levou a população a questionar por que não havia um sistema para avisar rapidamente sobre crianças sequestradas, como acontece em casos de eventos climáticos severos.

A partir disso, entidades e equipes policiais passaram a trabalhar na criação de um sistema de alerta que pudesse notificar a população rapidamente e aumentar as chances de encontrar a criança.

Com o tempo, o modelo foi adotado por outros países. O Brasil foi o 33º país a aderir ao Amber Alert, em 2023.

Quais os requisitos para implementar um alerta no sistema?

Para que o alerta de desaparecimento de uma criança seja publicado na plataforma, é preciso que o caso preencha alguns requisitos.

O primeiro é que a criança ou adolescente tenha desaparecido em situação de risco de morte ou lesão corporal grave. Além disso, o desaparecimento deve ser recente e não voluntário. É necessário que os pais autorizem a inclusão do alerta. Se isso não ocorrer, não há divulgação.

É importante, ainda, que haja uma foto recente e com boa resolução da vítima. Caso não haja, a publicação pode ser realizada da mesma forma, mas o alerta ficará prejudicado, já que a foto é a principal maneira da população identificar a criança desaparecida.

Publicação nas redes sociais

Assim que o alerta foi emitido, muitos campo-grandenses receberam a divulgação com foto e outras informações da bebê pelas redes sociais. Rapidamente, prints passaram a ser compartilhados em grupos do WhatsApp.

Isso acontece porque, quando uma criança desaparece ou é sequestrada, o Amber Alert é ativado e o comunicado é encaminhado às plataformas da Meta para publicar o alerta no raio de até 160 km do local do fato.

Essa mensagem de desaparecimento fica disponível por até 24 horas nas redes sociais e, caso a criança seja encontrada, o alerta é removido. Caso novas informações sobre o paradeiro sejam passadas à polícia, o alerta pode ser acionado mais uma vez.

Vale pontuar, no entanto, que o alerta não pode ser feito pelos próprios pais, amigos ou familiares. A solicitação só pode ser feita pelos estados, por meio de Termo de Cooperação com a Secretaria Nacional de Segurança Pública.

O alerta também não é válido para casos antigos de desaparecimento.

Últimas atualizações sobre o caso

Depois de mais de sete horas de depoimento, na Depca (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente), familiares da bebê de 28 dias sequestrada foram liberados na noite desta sexta-feira (7) e a criança ainda não foi localizada. Informações de que o suposto sequestro seria para pagamento de dívida com facção foram negadas pelo pai, que também desmentiu ser faccionado. Conforme apurado, ele não teria passagens policiais.

Policiais civis da Depca e do Garras (Delegacia de Repressão a Roubo a Banco, Assaltos e Sequestros) continuam em diligências para localizar a recém-nascida.

A mãe da bebê, uma adolescente de 17 anos, disse à reportagem que foi até a casa da sequestradora e que a conheceu nas redes sociais. “Ela estava doando roupinhas, aí ela foi lá em casa entregar. Eu falei que eu queria, aí minha avó recebeu por mim, porque eu estava na maternidade”, disse. “Continuamos conversando e ela perguntava da minha neném, mandava foto da neném dela também”, falou.

Ainda conforme a mãe, nesta quinta-feira (6), a sequestradora ofereceu R$ 100 para que ela fosse até sua casa. Conforme a jovem, o valor seria para cuidar da filha da sequestradora, que também tem uma bebê, segundo a adolescente.

A jovem então foi até a casa com a filha recém-nascida e a irmã, de 12 anos. “Quando eu cheguei lá, parecia uma casa normal. Ela me ofereceu um copo d’água e depois ofereceu para ver a casa dela. Lá no fundo tem uma casinha, e eu fui lá ver. Quando eu entrei, um cara já estava atrás da porta, esperando, e minha bebê estava na sala com minha irmã, aí ele tentou me sufocar, me desmaiar e depois eles me amarraram e me jogaram lá no banheiro. Foram atrás da minha irmã e colocaram ela no quarto com a bebê”, contou a jovem. A casa, segundo ela, fica próxima à Avenida Guaicurus.

As duas então teriam ficado na casa até a madrugada desta sexta-feira (7) e foram liberadas, sem a recém-nascida, nas proximidades da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Universitário.

O celular da vítima também foi levado pelos criminosos. O caso é investigado pela Depca.

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