Quem foi ‘Barão do Tráfico’, ex-aliado de Beira-Mar que morreu em hospital de Campo Grande

Apontado como um dos maiores traficantes de drogas da América Latina, no fim dos anos 1990, Leonardo Dias Mendonça, 63 anos, que morreu nesta quinta-feira (20) na Santa Casa de , foi responsável, durante muitos anos, pela venda de cocaína para as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Conhecido como Barão do Tráfico, Leonardo tinha ligação direta com o traficante Fernandinho Beira-Mar, líder da organização criminosa Comando Vermelho.

Leonardo esteve na lista da Interpol, procurado no mundo todo, e era especializado em retirar cocaína da Colômbia e distribuí-la na Europa e em outros países pelo mundo.

Um dos personagens centrais das grandes investigações brasileiras sobre tráfico transnacional de cocaína no fim dos anos 1990, Leonardo, mesmo detido, chegou a comandar uma rede de mais de 30 pessoas ligada ao comércio internacional de entorpecentes.

O poder financeiro do grupo, à época, impressionou os investigadores. O dinheiro ilícito era lavado na compra de fazendas e gado e garantia a influência sobre políticos e magistrados. O capital obtido pelo grupo era destinado a empresas de diversos setores na tentativa de ocultar a origem ilícita dos recursos.

Segundo as investigações, Leonardo coordenava o envio de cocaína para a Europa. O esquema contava com o apoio do ex-prefeito de São Miguel do Araguaia, em Goiás, Nélio Pontes. O prefeito era responsável pela logística de recebimento das drogas vindas de países produtores.

Pistas clandestinas no interior goiano eram usadas para descarregar o material trazido por pequenos aviões. Do Brasil, a cocaína seguia para a Europa em contêineres de navios com cargas lícitas.

Na penitenciária, Leonardo fazia uso constante de celulares, o que facilitava o comando do tráfico. Por pelo menos 50 vezes, durante o período em que esteve preso em Goiás (2002), Leonardo mudou de telefone.

Histórico

A primeira prisão conhecida aconteceu em 1999, em um processo envolvendo 327 kg de cocaína transportada por avião e apreendida em Cocalinho, no Mato Grosso.

Leonardo foi preso também em 2002 e em 2018 passou para o regime semiaberto, com uso de tornozeleira eletrônica. Ele voltou a ser alvo da Polícia Federal em 2019, durante a Operação Ozark-Narco, que cumpriu mais de 20 mandados de prisão nos estados de Goiás, , Pará, Minas Gerais e no Distrito Federal.

Em novembro de 2023, o processo de execução penal de Leonardo passou a tramitar na 5ª Vara Federal Criminal de Campo Grande, marcando sua transferência para a Penitenciária Federal da Capital.

Suri-Cartel

Leonardo passou de comerciante e garimpeiro na região Norte a um dos personagens centrais das grandes investigações brasileiras sobre tráfico transnacional de cocaína no fim dos anos 1990.

Em 2001, quando Fernandinho Beira-Mar já era nacionalmente conhecido, a Polícia Federal chegou a manifestar à imprensa nacional que Leonardo ocupava posição ainda maior no tráfico internacional atacadista.

Ele foi apontado como figura central de uma organização chamada nos autos de “Suri-Cartel”, ligada às rotas Colômbia–Brasil–Suriname/Guiana, conforme noticiou o jornal Folha de São Paulo, à época.

O então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, incluiu formalmente Leonardo Dias Mendonça entre os grandes traficantes estrangeiros sujeitos às sanções que proibiam transações de pessoas e empresas americanas e determinavam o bloqueio de ativos sob jurisdição americana, de acordo com a decisão da Casa Branca.

As sanções apontam que Leonardo não era somente um traficante conhecido no Brasil; ele chegou formalmente ao radar máximo de sanções antidrogas dos Estados Unidos.

Leonardo estava internado desde segunda-feira (17), após dar entrada em estado grave no hospital. Ele passou

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