Operação da PF mira investimentos da previdência de Campo Grande no Banco Master
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (25), em Campo Grande (MS), a Operação Presciência. A ação investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de R$ 1,2 milhão do IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande) em títulos podres do Banco Master.
A Justiça Federal expediu seis mandados de busca e apreensão e autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados. As ações atingiram a sede da SAS (Secretaria de Assistência Social de Campo Grande) e o IMPCG, nesta manhã (25).
Segundo apurou o Jornal Midiamax, os agentes chegaram à secretaria nas primeiras horas do dia e foram diretamente à sala da titular da pasta, a vice-prefeita Camilla Nascimento, que à época das contratações dos títulos do Banco Master respondia pela direção do instituto previdenciário.
De acordo com a Polícia Federal, a investigação começou a partir de um relatório da Coordenação-Geral de Auditoria do Departamento dos Regimes Próprios de Previdência Social, vinculado ao Ministério da Previdência Social.
O documento apontou que servidores públicos municipais ignoraram normas técnicas e administrativas ao aprovar a compra de Letras Financeiras. Segundo a corporação, a decisão expôs o patrimônio destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões a riscos financeiros.
A 3ª Vara Federal de Campo Grande autorizou as medidas cautelares. Os suspeitos são investigados pelos crimes de gestão temerária, corrupção ativa e corrupção passiva.
Situação dos recursos dos servidores e aposentados
A instituição chefiada por Daniel Vorcaro recebeu os investimentos milionários do IMPCG. O Banco Central decretou a liquidação da empresa em 2025 devido à falta de liquidez para pagar os investidores.
A Polícia Federal e outras autoridades investigam a instituição por fraudes que somam R$ 12 bilhões. O fundador do banco cumpre prisão preventiva desde março deste ano, após tentar fugir do país em novembro de 2025.
Para evitar a perda do R$ 1,2 milhão, o IMPCG acionou a Justiça Federal e obteve uma decisão favorável para a compensação de créditos.
O diretor-presidente do instituto, Marcos Tabosa, afirmou em março deste ano que o valor principal e os rendimentos de R$ 227 mil estão totalmente assegurados sob proteção judicial.
A recuperação do dinheiro ocorreu por meio do sequestro de repasses que a Prefeitura de Campo Grande faria ao banco.
O bloqueio reteve R$ 1,43 milhão referentes a parcelas de empréstimos consignados, descontados mensalmente na folha de pagamento dos servidores municipais.
Este montante foi depositado em uma conta jurídica. O município aguarda a conclusão dos trâmites legais para a liberação definitiva dos recursos ao caixa do instituto previdenciário.


