Presidente e diretores da Santa Casa são presos por desvios de R$ 4,9 milhões

A diretora-presidente da Santa Casa, advogada Alir Terra Lima, foi presa na manhã desta sexta-feira (11), na Operação Antidotum, do Gecoc e Gaeco, que apura desvios que superam os R$ 4,9 milhões no hospital.

Conforme apurado pela reportagem, também estão entre os presos os diretores financeiro da Santa Casa, Rinaldo Hakme Romano, e seu adjunto, Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa – que é advogado e vai para o presídio militar – e também o diretor administrativo, Alessandro Dias Junqueira.

A supervisora do setor de prontuários do hospital, Monique Gregório de Oliveira, também está presa.

Também foi conduzido para a delegacia o empresário Maurício Aparecido Benites, que atua no setor de tecnologia. Ele foi proprietário da Exbe Tecnologia e Serviços (CNPJ 47.700.845/0001-53), em , e da Redvalue Tecnologia, Administração e Serviços Ltda. (CNPJ 23.147.735/0001-48), sediada em Goiânia.

No total, foram expedidos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão.

O contrato alvo da investigação é para prestação de serviços de digitalização de prontuários, em que ocorreram pagamentos de valores elevados sem a devida contraprestação de serviços. Conforme as investigações, os desvios apurados nesse contrato são de R$ 1,4 milhão. No entanto, os valores totais do desvio aos cofres do hospital são mantidos em sigilo.

No curso da investigação também foram identificadas irregularidades em contratos celebrados pela Operadora Santa Casa Saúde — empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande — com diversas empresas do mesmo grupo econômico. Essas empresas, cujo proprietário tinha ligações com a diretoria da Santa Casa, estavam registradas no mesmo endereço, mas o imóvel, na verdade, encontrava-se desocupado.

Somente em 2025, o plano de saúde pagou cerca de R$ 9,6 milhões para essas empresas, com prejuízo de R$ 3,5 milhões para a entidade.

Durante as apurações, constatou-se que os contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente sonegados dos órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

Um advogado que representa o escritório de defesa de Alir e Rinaldo está na delegacia de polícia e confirmou as prisões à reportagem, afirmando que a defesa iria se manifestar posteriormente.

Já o advogado Fábio Leandro, que representa Maurício, disse que “Vai aguardar acesso aos autos para se pronunciar”.

O advogado de Monique, Leandro Gregório, disse que vai aguardar acesso aos autos para se manifestar.

Santa Casa diz que está colaborando com investigações

Em nota divulgada na manhã desta sexta-feira (11), o hospital diz que está “colocando-se à disposição para fornecer informações e esclarecimentos, que forem formalmente solicitados”.

Ainda conforme a nota, a “instituição respeita e acompanha o trabalho das autoridades competentes”, mas afirma que só irá se manifestar após a liberação dos autos.

 

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