Com anúncio de greve, ação quer resposta sobre intervenção do Consórcio Guaicurus em 72h

Um comerciante que entrou com ação popular na Justiça pediu urgência na intervenção no Consórcio Guaicurus — concessionária que opera o sistema de transporte coletivo de . A medida está prevista no contrato.

Na quinta-feira (11), motoristas aprovaram a deflagração de greve a partir de segunda-feira (15) por conta do atraso de salários. Diante disso, o cidadão pediu que o juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, decida o caso em 72 horas corridas.

O processo foi iniciado há duas semanas exigindo que a concessionária fosse afastada com base nas conclusões da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte, que apontou idade da frota acima do permitido, falta de manutenção, falta de seguro e má gestão financeira.

 

Nova greve do Consórcio Guaicurus

Motoristas do Consórcio Guaicurus votaram a favor da paralisação na próxima segunda-feira (15), durante a assembleia geral da madrugada de quinta-feira (11). A categoria está com o salário de novembro atrasado há uma semana.

O presidente do STTCU-CG (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Coletivo Urbano de Campo Grande), Demétrio Freitas, disse que a votação foi unânime para a paralisação.

“Caso o Consórcio não efetive o pagamento vencido do salário, 13° salário e o adiantamento salarial do dia 20 na segunda-feira, todos os trabalhadores estarão parando e só voltam a trabalhar com o pagamento na conta. Ficou definido [na assembleia] que só voltam a trabalhar se os três pagamentos forem feitos de uma vez”, disse.

Áudios obtidos pela reportagem, supostamente enviados em conversa entre representante jurídico do STTCU-CG e motorista, circulam em grupos de WhatsApp da categoria. Na conversa, o trabalhador se mostra descrente com as negociações entre o sindicato e o Consórcio Guaicurus.

“Eles querem enrolar a gente para trabalharmos de graça mais essa semana e, talvez, o pagamento cair na segunda-feira. Por que 48h e depois 72h? Isso é conversa. Já está combinado: ‘Vamos enganar os trouxas até semana que vem’. Vai passar essa semana inteira, domingo e só na segunda-feira. Essa semana a gente não vai ter pagamento”, lamenta o trabalhador da empresa de ônibus em conversa nesta semana.

Comerciante quer anulação do contrato com Consórcio Guaicurus

O advogado do cidadão menciona, na petição inicial, que o Consórcio vem pedindo sistematicamente mais dinheiro na Justiça, enquanto recebe diversos repasses do Poder Público.

A intervenção deve durar 180 dias, prazo no qual os empresários dos ônibus ficam afastados para a revisão do contrato. Além disso, ficam suspensos quaisquer benefícios e reajustes da tarifa.

Por fim, a concessionária deve ser condenada a regularizar as obrigações contratuais até que o contrato seja definitivamente anulado e uma nova licitação seja aberta, bem como haja investigação de irregularidades identificadas na concessão pelos órgãos de controle.

Ou seja, a primeira etapa seria a intervenção por 180 dias, e, confirmadas as falhas, passa-se para a fase de decretação da caducidade do contrato, pondo fim à era do Consórcio e dando início a uma nova licitação do serviço.

Relatório final da CPI do Transporte

A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Transporte apresentou, no dia 12 de setembro de 2025, o relatório final em que cobra a substituição imediata de 197 ônibus que estão com idade máxima acima do limite estabelecido em contrato. O documento também recomenda a intervenção no Consórcio Guaicurus, para que sejam cumpridas as obrigações contratuais.

Os vereadores Dr. Lívio (União), Ana Portela (PL), Maicon Nogueira (PP), Luiza Ribeiro (PT) e Coringa (MDB) sugerem, ainda, o indiciamento de todos os diretores e ex-diretores do Consórcio, de dois ex-diretores-presidentes da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) e de dois ex-diretores-presidentes da Agereg (Agência Municipal de Regulação dos Serviços Públicos).

Os parlamentares pedem que sejam investigados os ex-diretores da Agetran Janine de Lima Bruno e Luiz Carlos Alencar Filho, por inércia na fiscalização do serviço de prestação aos usuários dos ônibus; e os ex-diretores da Agereg Odilon de Oliveira Júnior e Vinicius Leite Campos, por prevaricação e improbidade administrativa. O primeiro por inércia na fiscalização do contrato, e Vinícius por não realizar a revisão da tarifa de 2019.

Os pedidos de indiciamento serão destinados ao MPMS (Ministério Público de MS), Tribunal de Contas do Estado e Ministério Público Federal. Caberá aos órgãos a abertura de investigação, que pode acarretar eventuais sanções penais e administrativas.

Uma auditoria realizada em abril de 2025 apontou que, dos 460 ônibus em operação, 300 estariam rodando acima do limite prudencial. A comissão aponta que a condição compromete a qualidade e a segurança do serviço prestado à população.

A falta de manutenção adequada é apontada no texto final da CPI como causa de problemas recorrentes que afetam diretamente os usuários. A investigação identificou falhas como painéis de velocidade inoperantes, elevadores quebrados, infiltrações de água e sistemas de iluminação deficientes.

CPI foi encerrada com divergência e lançamento de petição para intervenção

Apenas o vereador Maicon Nogueira (PP) discordou das conclusões apresentadas no relatório. Para ele, alguns pontos do relatório precisam de ajuste. Entre eles, a escolha dos diretores do Consórcio.

Então, disse que os ‘chefões’ do Consórcio precisam de uma escolha nominal. “Eu acredito que deveria ter sido nomeado o senhor João Resende e o senhor Paulo Vitor Brito, que são diretores do Consórcio. Acredito que poderia ter sido nominal nestes casos”, explicou.

Por fim, ressaltou que o relatório não perde força com a falta de unanimidade na votação de aprovação dentro da Comissão. Então, esclareceu: “Não estou dizendo que este relatório está ruim. Esse relatório está ótimo. Só penso que ele poderia ter sido mais agudo”.

Dessa discordância, Maicon lançou uma petição pública para coletar assinaturas pedindo a intervenção na concessão. A meta é atingir 50 mil apoios para formalizar o pedido à Prefeitura de Campo Grande.

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