‘Em luto’: escola lamenta morte de aluno campo-grandense assassinado pelo próprio pai
A morte de Arthur Davi Velasques Piazza, de 11 anos — assassinado pelo próprio pai — abalou a comunidade escolar de Campo Grande nesta segunda-feira (3). Arthur era de Campo Grande e morava há cerca de dois anos em João Pessoa, na Paraíba, cidade onde foi assassinado nesse fim de semana.
Na Escola Municipal Professora Ana Lucia de Oliveira Batista, na região do bairro Paulo Coelho Machado, onde Arthur estudou por dois anos. Segundo a assistente inclusiva que acompanhou o menino entre 2022 e 2023, ele era uma criança bastante amorosa.
“Era uma criança extremamente amorosa, gostava de abraçar a gente. Se deixasse, ficava o dia inteiro agarradinho. Quando ele saiu da escola, a gente ficou triste, porque foi uma perda. A gente tinha muito apego e muito carinho pela história de vida dele, porque o Davi se superou, nasceu prematuro. Já era vencedor”, declarou a assistente.
Arthur era autista e tinha deficiência visual. Por isso, a equipe tinha todo cuidado por ele. “Ele era agressivo só com ele mesmo. […], mas tínhamos todo o cuidado com ele. Ele chegava e já pedia banana, pois adorava banana. Ele chamava de ‘nana’ e água de ‘apo’ porque ele era não verbal e isso era o que conseguia comunicar”, relembrou à reportagem.
O diretor da escola municipal também comentou sobre Arthur. “Era um menino muito carinhoso. Tínhamos todo cuidado com ele”, afirmou.
A notícia da morte de Arthur deixou a comunidade escolar em luto nesta segunda-feira (3). Segundo o diretor, diversos profissionais que conviveram com o menino estavam abalados nesta manhã.
“A comunidade escolar amanheceu em luto. Temos aqui, todos os dias, de receber mais de 600 crianças. Então temos que nos manter fortes. Mas, nos olhos, observamos que todos que conviveram com o Arthur Davi estavam chorosos”, relatou.
‘Muito cruel’
A assistente inclusiva também expressou o sentimento de revolta ao saber que o crime foi praticado pelo próprio pai de Arthur. “Muito cruel [o assassino], um mostro… A gente nunca vai esquecer, porque fica aquele sentimento de revolta, pois era uma pessoa que estava para acolher e que acabou com a vidinha dele”, pontuou.
O corpo de Arthur foi velado na manhã desta segunda-feira (3) e sepultado no Cemitério do Cristo Redentor, em João Pessoa.
Assassinato
A vítima estava desaparecida desde a manhã da última sexta-feira (31). As investigações indicarão a motivação do crime, no entanto, tudo aponta que tenha sido por vingança, já que Davi não aceitava o fim do relacionamento com a mãe de Arthur. Ela, por outro lado, está em outro relacionamento. Segundo familiares, o término entre os dois ‘se deu há muito tempo’.
Segundo a Polícia Civil, Piazza havia viajado de Santa Catarina –– onde mora atualmente –– para João Pessoa –– onde a criança morava com a mãe –– dizendo que ajudaria a cuidar do filho. Ele marcou um encontro com o menino no bairro de Manaíra, na capital paraibana, tentando reestabelecer uma ligação com a criança, já que o contato entre os dois não era tão frequente.
Investigação
Segundo o delegado da PC, Bruno Germano, Piazza esteve em João Pessoa na quinta-feira (30), e na sexta (31) se encontrou com o filho. Ele havia combinado com a mãe de Arthur que levaria o menino para passar um tempo com ele em Florianópolis, durante as festas de fim de ano, e que esse período seria um ‘teste’.
No entanto, a mãe de Arthur começou a perguntar sobre o filho e a pedir fotos, mas recebia apenas informações de que a criança estava bem. Foi então que neste domingo (2), já em Florianópolis, que Davi ligou para a ex-companheira e informou que havia matado a criança. Davi indicou o local em que ocultou o cadáver e se entregou à polícia.
A maneira como o corpo de Arthur foi encontrado indica que o crime ocorreu logo após o encontro entre os dois. Após matar o próprio filho, Piazza teria levado o corpo até o bairro Colinas do Sul, onde o enterrou em uma área de vegetação. O corpo estava em um saco plástico preto, parcialmente coberto por terra.
Segundo a investigação, Arthur apresentava manchas verdes na região abdominal. A suspeita é de que ele tenha sido envenenado ou asfixiado. O laudo do IPC (Instituto de Polícia Científica) apontou que a causa da morte do campo-grandense foi asfixia por sufocação. A Polícia Civil pediu exames para investigar se Arthur foi dopado antes de ser assassinado.




