Esposa de Claudinho Serra é denunciada por receber a mais em plantões em hospital
A esposa do ex-vereador Claudinho Serra e filha da ex-prefeita de Sidrolândia, Vanda Camilo (PP), foi denunciada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) por supostamente receber mais por plantões no Hospital Beneficente Elmíria Silvério Barbosa.
Conforme a denúncia, documentos demonstram indícios de que a médica Mariana Camilo de Almeida Serra teria recebido pagamentos indevidos mediante emissão notas fiscais que não correspondiam aos serviços efetivamente prestados em 2020.
O MPMS denunciou Mariana e o médico Newton Renato Couto, assim como suas empresas, a MedMari Atividade de Serviços Médicos Eireli e a WorkMed Medicina e Saúde Ocupacional Ltda, respectivamente.
A denúncia foi protocolada na terça-feira (17), mas ainda não foi analisada pela Justiça.
Mariana fez plantão de 36 horas em um dia
Outro ponto levantado pela investigação foi a discordância nos horários, em que Mariana recebeu por um plantão de 24 horas, seguido por mais 12 horas — o que daria 36 horas — no mesmo dia. No outro dia, houve a mesma sequência e mais um plantão de 12 horas do terceiro dia.
O total dessa série de plantões — de 84 horas em três dias consecutivos — custou R$ 11 mil. A Promotoria apurou que os plantões dos médicos eram divididos em 12h apenas (das 7h às 19h e das 19h às 7h do outro dia), sendo impossível um plantão de 24h.
“A análise dos registros revelou situações absolutamente incompatíveis com a realidade fática, como a atribuição de jornadas de 36 horas consecutivas de plantão em um mesmo dia, situação que se repetia em dias subsequentes sem qualquer intervalo de descanso, evidenciando a provável inserção de informações artificiais para justificar pagamentos superiores aos efetivamente devidos”, traz a denúncia.

A defesa de Mariana, feita pelo advogado Tiago Bunning — que também defende Claudinho — afirma que a denúncia do “Ministério Público é inteiramente baseada em suposições e na interpretação equivocada de documentos”.
Bunning também ressalta que não existe nenhuma prova de que a médica não tenha prestado o serviço pelo qual foi paga.
Problemas no registro de frequência
O relatório da Promotoria diz que as escalas eram elaboradas pelo então diretor técnico, Newton Renato Couto, enquanto o controle da frequência ficava a cargo dos funcionários da recepção, “sem qualquer mecanismo formal de validação por superior hierárquico ou sistema eletrônico de controle de jornada”.
“O registro da presença dos médicos era feito exclusivamente por meio de assinaturas em livro físico, sem a utilização de qualquer sistema informatizado de controle, como ponto eletrônico ou mecanismo equivalente de auditoria, circunstância que facilitava a inserção de informações dissociadas da realidade”, explica a promotora Bianka Mendes.
Relatório técnico apurou que o prejuízo chega a R$ 149.919,24 (R$ 72.363,74 de Mariana e R$ 77.555,50 de Newton). O MPMS pede apenas o ressarcimento dos valores com correção monetária.



