Gaeco vai a quatro cidades em nova operação contra corrupção em Mato Grosso do Sul
Quatro cidades de Mato Grosso do Sul amanheceram com equipes do Gaeco nas ruas nesta terça-feira (10).
As informações preliminares dão conta de que o Batalhão de Choque também presta apoio operacional.
Um dos focos é o município de Corguinho, a 98km de Campo Grande.
Segundo informações obtidas pela reportagem, cerca de oito viaturas fazem ‘varredura’ para cumprir mandados na cidade.
Conforme informações um dos alvos é a ex-prefeita, Marcela Ribeiro Lopes (PSDB), que teve sua casa ‘visitada’ pelo Gaeco.

Já em Rio Negro, os investigadores visitaram endereços ligados ao ex-prefeito Buda do Lair (PSDB).
Terenos também é alvo de mandados. Os agentes cumpriram buscas na empresa Marsoft Informática e na casa do empreiteiro Rogério Luiz Ribeiro, investigado na Spotless, que mirou o prefeito afastado da cidade, Henrique Budke (PSDB).
O empresário acompanhou as buscas, mas não quis falar com a reportagem.
É a quinta vez que o grupo que combate crime organizado e corrupção cumpre mandados no município de Terenos em um período de um ano e meio.
O atual prefeito de Terenos, Arlindo Lindolfo (Republicanos), informou que a prefeitura não é alvo de cumprimento de mandados.
Em Aquidauana, os agentes cumprem mandados também em um escritório de engenharia.
No entanto, ainda não há informações oficiais sobre o contexto da ação.

A série de ações de combate à corrupção em Terenos começaram em agosto de 2024, com a Operação Velatus, que revelou o esquema da ‘farra das empresas convidadas’. O então secretário de obras, Isaac Cardoso Bisneto, chegou a ser preso.
O grupo era formado por empreiteiros que se revezavam para ganhar licitações de obras no município.
Já em setembro do ano passado, a Spotless mostrou que o líder do esquema era o prefeito Henrique Budke (PSDB). Ele teria recebido mais de R$ 600 mil em propina, segundo as investigações.
Já em 2026, o Gaeco deflagrou duas operações: Collusion e Simulatum. O alvo era a revista ImpactoMais, que está em processo de venda para o Grupo Dakila, comandado por Urandir Fernandes.
O dono do grupo de comunicação ImpactoMais, Eli de Sousa, foi preso.
Spotless revelou esquema de corrupção chefiado pelo prefeito Henrique
Em 9 de setembro de 2025, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) deflagraram a Operação Spotless, contra um esquema de corrupção na Prefeitura de Terenos.
Foram expedidos 16 mandados de prisão e 59 mandados de busca e apreensão em Terenos, Campo Grande e Santa Fé do Sul (SP). O prefeito Henrique Budke (PSDB) é apontado como líder da organização criminosa.
A investigação apontou que o grupo liderado por Budke tinha núcleos com atuação bem definida. Servidores públicos fraudaram disputa em licitações, a fim de direcionar o resultado para favorecer empresas.
Os editais foram elaborados sob medida e simulavam competição legítima. Somente no último ano, as fraudes ultrapassaram os R$ 15 milhões.
O esquema ainda pagava propina para agentes públicos que atestavam falsamente o recebimento de produtos e de serviços e aceleravam os processos internos para pagamentos de contratos.
A Operação Spotless foi deflagrada a partir das provas da Operação Velatus, que foi realizada em agosto de 2024. O Gaeco e Gecoc obtiveram autorização da Justiça e confirmaram que Henrique Budke chefiava o esquema de corrupção.
Spotless é uma referência à necessidade de os processos de contratação da administração pública serem realizados sem manchas ou máculas. A operação contou com apoio operacional da PMMS (Polícia Militar de MS), por meio do BPChoque (Batalhão de Choque) e do Bope (Batalhão de Operações Especiais).
Budke foi solto ainda em setembro de 2025 após obter habeas corpus no STJ (Superior Tribunal de Justiça). O afastamento dele, que era voluntário, foi referendado pelo Judiciário.
Prefeito afastado e mais 25 são denunciados à Justiça
O MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul) denunciou o prefeito afastado de Terenos, Henrique Budke (PSDB), e mais 25 pessoas envolvidas no suposto esquema de corrupção na prefeitura.
Licitações de obras públicas eram direcionadas, e empresas se revezavam nos serviços, garantindo que o grupo se beneficiasse do esquema, que incluía pagamento de propina ao prefeito e a outros citados.
“O que se apurou na investigação é uma organização criminosa instalada no Poder Executivo do Município de Terenos, atuando há anos para fraudar licitações e saquear os cofres públicos, um verdadeiro balcão de negócios comandado pelo prefeito municipal [Henrique Budke]”, pontuou o procurador-geral de Justiça Romão Ávila Milhan Júnior.



