Ação mira Papy e pede suspensão de R$ 140 mil em contratos da CPI do Consórcio Guaicurus

Uma ação na Justiça mira o presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Neto, o Papy (PSDB), por conta de dois contratos firmados pela Casa de Leis com assessorias, por R$ 140 mil, para auxiliar nos trabalhos da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Consórcio Guiaucurus no ano passado.

Segundo a petição, as licitações duraram até após a entrega do relatório final dos trabalhos de investigação da comissão, em setembro de 2025. Além de Papy, a ação mira as duas empresas privadas contratadas pela Câmara.

A ação questiona os dois contratos e pede à Justiça a suspensão imediata de qualquer pagamento ainda pendente, além da anulação dos contratos e da devolução ao erário de todos os valores já pagos.

Para o autor da ação, o advogado Oswaldo Meza, os contratos são irregulares, pois duraram até um período posterior ao próprio encerramento da CPI, que atestou serviço de má qualidade prestado pelo Consórcio Guaicurus em , mas não chegou a sugerir a intervenção do contrato — fato que acabou concretizado nesta semana.

Além disso, a ação afirma que a assessoria poderia ter sido feita pela Procuradoria da Casa de Leis e questiona o motivo da inexigibilidade de licitação — usada quando apenas determinado prestador possui o que é necessário para o serviço.

 

Ônibus do Consórcio quebrado em frente à Câmara de Campo Grande. (Foto: Marcos Tenório,

Contratos

A CPI do Consórcio Guaicurus foi instalada em março de 2025 para investigar a empresa e trabalhou em quatro fases investigativas. O relatório final foi divulgado em setembro de 2025, após cinco meses de trabalho.

Os dois contratos de assessoria foram assinados em julho de 2025, após o encerramento das investigações. Na época, o Jornal Midiamax chegou a divulgar as contratações.

No dia 23 de junho do ano passado, a Câmara declarou a Platinum Contabilidade e Gestão Ltda. (CNPJ 49.946.173/0001-96) vencedora de processo de inexigibilidade de licitação para prestar assessoria contábil à CPI, no valor de R$ 55 mil.

Já no dia 25 de junho, a Casa homologou outra licitação por inexigibilidade, com o escritório Márcio Souza Sociedade Individual de Advocacia (CNPJ 48.717.171/0001-62), que venceu o processo por R$ 85 mil. Os contratos foram fechados posteriormente.

Segundo a ação, o relatório final de 204 páginas não menciona em nenhum trecho as empresas Platinum Contabilidade ou Marcio Sousa Advocacia como colaboradoras da investigação.

Pente-fino

A Platinum foi chamada para fazer um ‘pente-fino’ nas finanças do Consórcio Guaicurus, a fim de contrapor os pareceres em que o Consórcio Guaicurus alegava desequilíbrio financeiro.

Uma perícia mostrou que os empresários do ônibus tiveram lucro líquido de R$ 68 milhões nos primeiros anos de contrato — período anterior ao início do processo. Além disso, ressaltou o descumprimento contratual por parte do Consórcio Guaicurus em manter a frota sucateada. Por fim, concluiu não haver desequilíbrio.

Prefeitura decretou a intervenção no Consórcio Guaicurus. (Léo de França, 

Inconformados, os empresários do ônibus — agora afastados — tiraram R$ 272 mil do próprio bolso para bancar um novo laudo. Este, por sua vez, mostrou uma realidade totalmente diferente, como se fosse análise de uma outra empresa.

Para a Ibec, apesar de, até o ano de 2024, haver lucro líquido que supera os R$ 27 milhões, há necessidade de compensação de R$ 377 milhões ao Consórcio Guaicurus. Por isso, a CPI pediu a contratação de uma nova perícia.

Papy diz que assessorias atuaram no relatório

Papy explicou que as assessorias contratadas atuaram no relatório final a pedido da vereadora Ana Portela (PL), relatora da CPI. “Eles foram contratados do meio para o final, quando chegou a hora do relatório, em que a vereadora Ana solicitou uma assessoria jurídica e uma contábil porque tinha muito documento de contabilidade para analisar”, diz.

Vereadora Ana Portela (PL). (Reprodução, Redes Sociais)

Segundo o presidente da Casa de Leis, as empresas atuaram por cerca de 45 dias e, após o pagamento, os contratos foram extintos. “Essa ação provavelmente vai suspender; o objeto não vai ter julgamento. Nossa Procuradoria vai defender naturalmente e confiamos no olhar técnico e justo da Justiça do Estado”, afirma.

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