Adolescente que deixou bebê morto em lixeira não sabia que estava grávida, diz defesa
A adolescente, de 17 anos, que deixou o filho recém-nascido morto dentro da lixeira de uma casa em Ponta Porã, a 295 km de Campo Grande, não sabia que estava grávida. O caso ocorreu na última terça-feira (21), quando o menino foi encontrado por coletores de lixo.
Procurado pela reportagem na tarde desta sexta-feira (24), a defesa da menor, representada pelo advogado Paulo Belarmino, afirma que ela não sabia da gravidez, uma vez que já teria realizado um teste, popularmente conhecido como ‘de farmácia’, no entanto, teria testado negativo.
“Ela não tinha barriga, os pais não sabiam que ela estava grávida, não teve acompanhamento pré-natal, a probabilidade de o neném ter nascido morto é muito grande. Ela não é um monstro, é uma menina que não sabia que estava grávida, foi fazer o teste, mas deu negativo. Eu tenho fotos para provar que ela não tinha aparência nenhuma de grávida”, disse a defesa.
Na data dos fatos, a menor teria passado mal, assim, foi até o banheiro, momento em que a criança nasceu. “Passou mal naquele dia e foi para o banheiro de casa, fez força e o bebê saiu. Quando os pais saíram de casa, ela jogou na lixeira. Isso foi um ato de desespero”, acrescentou.
Nascido sem vida
Para a defesa, a adolescente relatou que a criança já teria nascido sem vida, com isso, não apresentava sinais vitais. “A possibilidade de ela ter matado a criança é zero. Ela fala que o bebê já nasceu sem vida e ela não sabia o que fazer”, disse.
A expectativa da defesa é que a jovem se apresente somente após o resultado do laudo pericial. No entanto, neste momento, Paulo afirma que ela está extremamente abalada com toda a situação.
“Eu conversei com o delegado e vamos aguardar o laudo, ela está muito abalada, a família está abalada. Assim que ela melhorar um pouquinho vamos marcar para ela apresentar a versão dela. Eu tenho plena convicção que matar o bebê ela não fez. Vamos aguardar [o laudo], espero que seja uma grande reviravolta nesta questão”, finalizou.
Caso
Coletores de lixo da Secretaria Municipal de Obras e Urbanismo da cidade estavam realizando o serviço, quando, por volta das 5h, teriam se deparado com o corpo do bebê, que estava dentro de uma lixeira de uma casa.
Equipes da Polícia Civil e também da perícia estiveram no local. As informações preliminares indicam que o corpo do menino estava com sinais de que faleceu tempos antes de ser encontrado.
O caso está sendo investigado pela 2ª DP (Delegacia de Polícia Civil) da cidade. Inicialmente está registrado como infanticídio, previsto no artigo 123 do Código Penal Brasileiro, que é o crime de matar o próprio filho durante ou logo após o parto, sob a influência do estado puerperal.

