Adriane Lopes decreta intervenção no Consórcio Guaicurus

A prefeita de , Adriane Lopes (PP), decretou a intervenção no Consórcio Guaicurus por prazo de até 180 dias (6 meses). A decisão atende à recomendação da Comissão especial de trabalho e tem como objetivo tentar reverter o caos no transporte coletivo.

Conforme o decreto publicado no Diário Oficial desta terça-feira (16): “Fica decretada a intervenção na concessão do Sistema Municipal de Transporte Coletivo Urbano, objeto do Contrato de Concessão nº 330/2012, atualmente executado pelo Consórcio Guaicurus, composto pelas empresas Viação Cidade Morena Ltda, Viação São Francisco Ltda, Jaguar Transportes Urbanos Ltda e Viação Campo Grande Ltda, pelo prazo de até 180 (cento e oitenta) dias, contados a partir da abertura do procedimento administrativo previsto no artigo 33 da Lei Federal nº 8.987/1995, observado o prazo previsto no artigo 4º deste decreto.”

Ou seja, a intervenção só começa, na prática, a partir da abertura de procedimento administrativo por parte da prefeitura, que deverá acontecer em, no máximo, 30 dias.

Para tentar reverter o caos provocado pela precariedade do serviço do Consórcio Guaicurus e tem as seguintes finalidades:

  • I – assegurar a continuidade, regularidade, eficiência e segurança da prestação do serviço público de transporte coletivo urbano do Município de Campo Grande (MS);
  • II – apurar as causas determinantes das irregularidades apontadas nos relatórios técnicos e administrativos da Comissão Especial e Agências reguladoras;
  • III – verificar a situação operacional, econômico-financeira, contábil, patrimonial e contratual da concessão;
  • IV – identificar eventuais responsabilidades dos administradores, gestores e demais agentes envolvidos;
  • V – propor medidas corretivas e soluções consensuais aptas a garantir a adequada prestação do serviço.

A equipe de intervenção será presidida por Aléxandro Adriano Lisandro de Oliveira e terá como membros: Rodolfo Bahiense Fernandes (administrativo-financeiro), Alexandre Souza Moreira (Jurídico) e Robson Tadeu Pereira (Operacional).

Durante o período de intervenção, a atual cúpula do Consórcio Guaicurus perde temporariamente os poderes de gestão da concessão. Podendo apenas acompanhar o processo.

O que os interventores poderão fazer?

Essa equipe irá administrar a concessão durante o período de intervenção e poderá praticar atos como:

  • Assumir a gestão administrativa, jurídica, operacional e financeira da concessão;
  • Nomear equipe técnica de apoio, expedir ordens de serviço;
  • Requisitar registros contábeis, ter acesso aos bens vinculados à prestação do serviço como garagens, oficinas e terminais
  • Determinar auditorias e inspeções, adotar medidas urgentes para garantir a continuidade dos serviços;
  • Rever procedimentos operacionais e de manutenção da frota e
  • Apresentar plano de ação para sanar as irregularidades identificadas.

Os interventores receberão salário baseado na remuneração dos executivos do Consórcio Guaicurus.

O decreto prevê ainda que tanto a diretoria como funcionários, empregados e prepostos do Consórcio Guaicurus devem prestar integral colaboração aos interventores, devendo fornecer acesso a todos os sistemas e documentos necessários.

Outra cláusula do decreto garante que a intervenção não importará transferência da propriedade dos bens da concessionária nem afastará as responsabilidades legais e contratuais de seus administradores e representantes.

E depois?

Após os primeiros 90 dias de trabalho, a equipe deverá elaborar relatório preliminar e, ao final dos 180 dias, outra conclusão com as recomendações.

A decisão final caberá à prefeita Adriane Lopes com base no que foi auditado pelos interventores.

Um dos caminhos é a declaração da caducidade do contrato ou até mesmo a extinção da concessão. Porém, a concessão poderá devolver a concessão ao Consórcio Guaicurus com condicionantes e aplicações de sanções contratuais cabíveis.

A reportagem acionou o Consórcio Guaicurus para se posicionar sobre a intervenção e aguarda retorno.

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