Alvo da PF no Universitário por contrabando de cigarros foi denunciado por receptação

O homem apontado como ‘cabeça’ do esquema de contrabando de cigarros, alvo da Operação Rota Clandestina, foi denunciado por receptação há sete anos. Nesta terça-feira (16), ele foi preso pela PF (Polícia Federal) no bairro Universitário, em .

A Operação Rota Clandestina mira uma organização criminosa investigada por contrabando de cigarros que movimentou mais de R$ 76 milhões. Em Campo Grande, são cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão. Outro mandado é cumprido em Santa Luzia, Minas Gerais.

O alvo preso no Universitário foi denunciado pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) em 2019, após ser encontrado com uma aliança de ouro 18k que teria sido furtada.

Na época, a PM (Polícia Militar) foi acionada após uma denúncia anônima de que o homem, que trabalhava como motorista, estaria com uma aliança furtada. Assim, os militares iniciaram diligências e encontraram o motorista com a aliança no bairro Coophavila II.

Aos policiais, o homem teria alegado que comprou o objeto por R$ 500 de outro indivíduo. Posteriormente, a equipe foi até a residência desse segundo envolvido no  Tarumã, ocasião em que ele confirmou as declarações do motorista e disse que teria pago R$ 100 pela aliança, adquirida com outro conhecido.

Na delegacia, o segundo envolvido disse que possui um lava-jato e um conhecido da região passou pelo seu estabelecimento com uma aliança, alegando que teria se separado da companheira e pedindo o valor de R$ 350.

O dono do lava-jato explicou à polícia que tinha apenas R$ 100 e o conhecido concordou em vender a aliança por esse valor. Depois, o homem teria ligado para o motorista, oferecido o objeto por R$ 500 e a compra foi feita.

De acordo com a denúncia, o dono do lava-jato desconfiou da situação, mas o objeto já havia sido revendido. No dia seguinte, ele soube que uma aliança teria sido furtada da casa de um amigo de seu familiar, momento em que suspeitou de que pudesse ser o mesmo objeto.

Diante da situação, o homem disse ter enviado uma mensagem para o motorista, afirmando que pegaria a aliança novamente, pois iria devolvê-la ao proprietário no dia seguinte. Na mesma noite, a equipe da PM apreendeu a aliança.

Já o motorista confirmou ter comprado a aliança, mas disse ter recebido uma mensagem do dono do lava-jato pedindo que não a vendesse. Depois, no período da noite, o motorista foi abordado pelos policiais, que apreenderam a aliança.

Operação Rota Clandestina

Conforme apurado a PF apreendeu jet ski, uma van e quatro veículos de passeio, entre eles um Tiggo e um Ônix. Durante o cumprimento dos 13 mandados de busca e apreensão e cinco mandados de prisão em Campo Grande, os policiais estiveram em uma distribuidora do ramo de produtos de domicílio no bairro Caiçara.

O proprietário da distribuidora foi alvo de mandado de busca e apreensão e conduzido à sede da PF na Capital.

As investigações começaram após a equipe de inteligência da PF identificar indícios da atuação de um grupo de contrabando de cigarros.

Foram identificadas 12 grandes apreensões com mais de mil maços de cigarros e movimentação financeira superior a R$ 76 milhões. O grupo adquiria os produtos no Paraguai e introduzia de forma clandestina no Brasil.

Em seguida, os cigarros eram guardados em depósitos clandestinos em Campo Grande e distribuídos para os outros estados com veículos adaptados. A PF identificou transportadoras vinculadas ao grupo e documentação fiscal fraudulenta para simular legalidade.

As investigações apontaram também que havia lavagem de dinheiro com uso de empresas de fachada, interpostas “laranjas” e movimentações incompatíveis com a renda declarada.

Os criminosos faziam operações ilegais de remessa de valores ao exterior para pagamento de fornecedores no Paraguai e escondiam patrimônio em nome de terceiros.

Operação conta com equipes da Receita Federal, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. (Reprodução, PF)

Logística

A organização criminosa atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas e hierarquia definida, dividindo-se entre Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

A logística era definida em aquisição de cigarros na região de fronteira com o Paraguai; transporte fracionado em veículos para reduzir riscos de apreensão; armazenamento em imóveis e estabelecimentos comerciais; distribuição em larga escala para outros estados; utilização de empresas de fachada e documentos fiscais fraudulentos para dar aparência de legalidade e uso de sistemas informais de remessas financeiras e contas de terceiros para ocultação de valores.

O nome da operação faz referência ao uso de rotas alternativas e meios clandestinos empregados pelo grupo para internalizar os cigarros no país e distribuí-los para outras unidades da federação.

 

Jet ski apreendido. (Foto: Pietra Dorneles, 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *