Após se livrar da tornozeleira, empresário de MS investigado por fraude tenta reaver apreensão

O empresário George Willian de Oliveira tenta reaver um celular apreendido durante a Operação Turn Off, deflagrada em novembro de 2023. Ele chegou a ser preso, foi solto e, há poucos dias, conseguiu se livrar do uso da tornozeleira eletrônica.

Conforme a petição, as investigações já extraíram as informações necessárias e já houve até a denúncia — na qual George não foi incluído no rol de denunciados. O pedido foi feito na 2ª Vara Criminal de , do juiz Deyvis Ecco.

Entretanto, ele declinou da competência para a Comarca de , que deve julgar o pedido de restituição de George.

Investigado nessa ação e em outras por fraude em licitações, o empresário Lucas Coutinho já conseguiu reaver um iPhone 14 de sua propriedade. Ele é réu em diferentes casos de corrupção e, desta vez, foi beneficiado em processo referente a um escândalo na saúde e na educação de Mato Grosso do Sul.

Sem tornozeleira

Coutinho e George também foram alvos da Operação Fake Cloud, que desvendou fraude em licitações na Prefeitura de Itaporã. Em junho, Coutinho conseguiu parecer favorável em HC na Justiça — foi o segundo em poucos meses, já que ele também conseguiu o relaxamento das cautelares no âmbito da Turn Off.

Recentemente, a Justiça decidiu estender os efeitos a George. Assim, o empresário fica liberado do monitoramento eletrônico e do recolhimento domiciliar noturno. Entretanto, ainda faltam três parcelas da fiança de R$ 10 mil a serem pagas. George conseguiu a liberdade monitorada em janeiro deste ano.

Além deles, outro alvo da operação foi Nilson dos Santos Pedroso, ex-secretário municipal de Governo e Gestão Estratégica de Corumbá. Ele foi para o regime domiciliar em novembro de 2025.

Operação contra fraude de licitações para backup de dados em Itaporã

O Gecoc/MPMS, com apoio do Gaeco, cumpriu três mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão no dia 23 de outubro de 2025, em Itaporã, Campo Grande e .

secretário municipal de Governo e Gestão Estratégica de Corumbá, Nilson dos Santos Pedroso, e os empresários George Willian de Oliveira — proprietário da Citiz Tecnologia — e Lucas de Andrade Coutinho foram os investigados.

A investigação identificou um grupo que atuava fraudando, sistematicamente, processos de contratações públicas por dispensa de licitação, voltados ao fornecimento de licença de sistemas de backup de dados em armazenamento em nuvem para a Prefeitura de Itaporã, desde 2022.

Após negociações ilícitas dos empresários com agentes públicos, diversas licitações foram simuladas e direcionadas para beneficiar uma determinada empresa, por meio de propostas fictícias e exigências técnicas, a fim de impedir que outras empresas pudessem disputar.

Os servidores forneciam informações privilegiadas aos empresários, para poder operacionalizar a fraude. Em troca, recebiam vantagens indevidas. O grupo é investigado por organização criminosa, fraude em contratações públicas, corrupção ativa e passiva.

“Fake Cloud”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “nuvem falsa” e faz alusão aos objetos dos contratos, o backup de dados em armazenamento em nuvem, o que não era fornecido ao ente público.

‘Mete cinquenta pau’: conversas revelam orçamentos fakes em fraude de licitação

A investigação do Gecoc apontou que o empresário Lucas de Andrade Coutinho é quem fazia a ponte entre o empresário George Willian de Oliveira e o então chefe de Compras da Prefeitura de Itaporã, Nilson dos Santos Pedroso.

Assim, após definir a fraude com Nilson, Lucas combinava com George os preços falsos para forjarem uma disputa, já que se tratava de licitação por dispensa, ou seja, em que a prefeitura apenas escolhe o menor orçamento entre os valores apresentados.

Dessa forma, conversas de WhatsApp entre os empresários mostram como eles armaram a fraude.

Primeiro, George enviava documento contendo toda a descrição que seria utilizada, posteriormente, pela prefeitura.

Depois, Lucas pedia que George arranjasse outras duas empresas para apresentarem propostas falsas. “Aí você põe o valor ai cara, é… mete cinquenta pau.”

E continuou, especificando quanto cada empresa vai propor: “Pede pro seu amigo mandar uns sessenta e três e quinhentos aqui, e eu vou manda uns cinquenta e oito pela Maiorca [empresa ligada a Lucas], ai você joga cinquenta mil. Põe cinquenta e dois mil e duzentos no seu, George”. E foi a proposta de R$ 52,2 mil de George a vencedora.

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