Campo Grande tem 187 pontos de Wi-Fi gratuito, mas que dividem opiniões

Com o objetivo de oferecer internet pública gratuita aos campo-grandenses, o programa Acessa+CG promete uma ‘conexão mais rápida e estável’ em diversas regiões da cidade. Da Rua 14 de Julho às USF (Unidades de Saúde da Família) espalhadas pelos bairros,  soma, ao todo, 187 pontos de rede.

Conforme a Prefeitura de Campo Grande, a iniciativa atende principalmente a áreas de grande circulação, para ‘facilitar o acesso ao mundo digital’. Na realidade, contudo, muitos cidadãos deixam de usufruir da proposta devido às dificuldades no login, às falhas na rede ou, simplesmente, por não a conhecer.

A vendedora Heloisa Fernandes, por exemplo, se encaixa no grupo do “já sabia, mas nunca usei”. Na Praça Ary Coelho, um dos pontos de conectividade no Centro da Capital, ela explica que conhece o Acessa+CG, porém, não consegue acessá-lo. Quando questionada sobre quais são as dificuldades, a resposta é curta e direta: “Todas”.

“Eles pedem CPF, um monte de coisa, e a gente coloca, mas não dá. […] Às vezes, a gente tá sem internet, quer chamar o Uber ou alguma coisa, não consegue. Eu mesma, agora, queria ter um Wi-Fi aqui, mas não consegui, não. Vai ter que sair nos meus dados móveis mesmo”, relata.

Assim como Heloisa, o vigia Vanderson Rosa e o frentista Rafael dos Santos também nunca usaram a rede, mas por outro motivo. Dessa vez, o empecilho para a conexão foi a falta de conhecimento sobre a disponibilidade.

“Talvez [eu usasse], mas nunca tentei, não. Também não sabia, né. Porque, geralmente, o pessoal fala que esse negócio público, assim, tem perigo de ser hackeado, essas coisas. Por isso que eu nem tento, também”, destaca Vanderson.

Instabilidade da rede

Existe ainda quem acha que a rede ‘quebra um galho’. Dimas , profissional de TI (Tecnologia da Informação), comenta que frequenta a Praça Ary Coelho com regularidade e, vez ou outra, opta pela internet do Acessa+CG.

“De vez em quando, eu utilizo a internet gratuita de Campo Grande. Mas, de vez em quando, ela falha. Tempo de chuva, tempo de sol também. Mas ajuda o pessoal, ainda mais os turistas que vêm aqui”, afirma.

O apontador operacional Kauan Kevin também costuma utilizá-la, mas explica que os dados móveis ganham no quesito qualidade. “Já usei, sim, uso bastante. O que eu faço é ficar usando mesmo aqui na praça, só que eu não uso direto, porque ela não é tão forte quanto a minha do celular, dos dados móveis.”

Praça Ary Coelho é um dos pontos disponíveis no Acessa+CG. (Foto: Henrique Arakaki, 

Conectividade?

Diferente dos demais casos, o vendedor Sidimar França afirma que, anteriormente, já conectou seu celular à internet gratuita. Atualmente, contudo, ele relata que o serviço ‘simplesmente’ deixou de funcionar.

“A primeira vez que eu fiz foi muito bom. Acessei, mas quando eu voltei aqui na Praça para usar, já não tava mais funcionando, não estava entrando. E não é só na praça, também é nos locais onde a Prefeitura coloca esse acesso ao Wi-Fi, que está com dificuldade, em postos [de saúde], em terminais de ônibus, e aqui infelizmente não está funcionando.”

Avanço importante

Apesar das diferentes experiências com o Acessa+CG, um ponto abordado pelos entrevistados é unânime: a importância do programa. Kauan, por exemplo, destaca o auxílio principalmente para o deslocamento, tratando-se da região central de Campo Grande.

“Tem gente que precisa e acaba facilitando. Ela ajuda o pessoal a se localizar aqui no Centro. Você passa e tem um ponto de Wi-Fi, o pessoal sabe onde fica, vem aqui, pesquisa rota e acaba indo já.”

Para Sidimar, a disponibilidade de internet contribui ainda para outros fatores. “Hoje, no mundo em que a gente vive, a qualquer minuto a gente está com o celular na mão, a gente precisa de informação, a gente precisa de uma notícia, ou até falar com o familiar. Tem pessoas que não têm um crédito no celular e têm que ficar pedindo Wi-Fi do vizinho emprestado, porém o Wi-Fi gratuito ajuda a mandar mensagem de urgência, ou ligar para o parente, ou pedir uma chamada de Uber”, destaca.

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Imagem ilustrativa. (Foto: Nathalia Alcântara

Funcionamento do Acessa+CG

O Acessa+CG distribui-se por diversos pontos de Campo Grande, como praças, vias e postos de atendimento ao público. Conforme Elaine Priscila Farias Rodrigues, diretora de Infraestrutura, Segurança e Conectividade da Agetec (Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação), os pontos de conectividade são selecionados, geralmente, segundo a densidade de pessoas utilizando.

“Hoje em dia, todo mundo usa o celular e nem sempre todo mundo está com essa conectividade. Um ponto bem legal que a gente usa, como case sempre, é a questão dos postos de saúde e das unidades 24 horas de atendimento. Então, quando a pessoa está lá, ela precisa mandar notícia para o familiar, ou ela fica um tempo lá internada, alguma coisa assim, ela sempre está usando essa conectividade. Hoje, nós temos, em média, 4 mil conexões por dia”, informa.

Além disso, quanto à preocupação sobre a segurança da rede, a diretora destaca que o acesso não só é seguro, como também é monitorado 24h por dia. “Toda a conectividade está ligada ao nosso datacenter. Nós temos um equipamento que a gente chama de firewall, e todo o acesso passa pelo firewall. Então o uso abusivo, como pornografia, coisas que não são permitidas, tudo isso é bloqueado e também é monitorado pelo nosso firewall.”

Agetec monitora e gerencia todos os pontos de conectividade. (Foto: Henrique Arakaki,

Como acessar a rede?

Elaine explica que a Prefeitura de Campo Grande tem colocado plaquinhas informando pontos de conectividade do Acessa+CG. Todas as informações, incluindo a lista com os 187 pontos de conectividade, estão disponíveis no site campogrande.ms.gov.br/acessamais. Confira o passo a passo:

  • Acesse a Rede acessamaiscg;
  • Abra o navegador e faça o seu cadastro uma única vez;
  • Preencha os campos de login e senha usando os dados cadastrados;
  • Aproveite a internet e utilize com responsabilidade.
Navegador para login no Acessa+CG. (Foto: Henrique Arakaki, 

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