Investigação encontrou 12 falhas em clínica de hemodiálise onde 2 pacientes morreram
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou inquérito para apurar irregularidades na clínica de hemodiálise DaVita, que fica na Rua 13 de Maio, no bairro São Francisco, em Campo Grande. A investigação encontrou 12 falhas sanitárias relacionadas à segurança dos pacientes, à higienização de equipamentos, ao controle da qualidade da água, aos registros assistenciais e à comunicação de eventos adversos.
No dia 27 de abril, pacientes precisaram de socorro médico ao mesmo tempo. Um morador de Aquidauana, de 62 anos, morreu no dia 30, internado em hospital da Capital. A causa foi registrada como “septicemia bacteriana e pneumonia” na certidão de óbito. Outra paciente morreu no dia 18 de maio, após ficar internada. Vigilância Sanitária Estadual e polícia também investigam o caso.
Além de apurar possíveis irregularidades nos serviços prestados pela clínica, o MPMS investiga a circunstância das intercorrências registradas durante as sessões de hemodiálise. Conforme o Ministério Público, há suspeitas de falhas em protocolos assistenciais e sanitários e pacientes relataram danos.
O caso chegou à 76ª Promotoria de Justiça da Capital em maio deste ano, quando requisitou informações e acompanhou inspeções da Vigilância Sanitária Estadual na unidade de saúde. Ainda conforme o MPMS, foi lavrado auto de infração, além da emissão de notificação determinando a adoção de medidas corretivas. “A autoridade sanitária manteve a autuação e aplicou penalidade administrativa”, informa nota do MP.
Próximos passos
O inquérito civil foi instaurado em 29 de julho e oficialmente aberto no dia seguinte. O procedimento permanece em tramitação até a conclusão das investigações e a adoção das medidas cabíveis. A clínica DaVita, a Vigilância Sanitária Estadual e a 1ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande receberam ofícios do MPMS.
A clínica deverá apresentar, no prazo de 20 dias, comprovação de providências adotadas para corrigir as 12 irregularidades encontradas pelos fiscais.
Já a Vigilância Sanitária do Estado deve informar se as exigências foram cumpridas, se houve novas inspeções e qual o resultado do processo administrativo sanitário aberto em maio.
Já a Polícia Civil deverá informar à Promotoria qual o andamento do inquérito policial que apura os fatos relacionados à clínica.
Reúso de capilares
Pacientes e ex-funcionários da clínica informaram à reportagem que era comum os capilares arrebentarem durante o uso, o que causava transtornos no tratamento. Além disso, segundo os relatos, os capilares só eram reutilizados em pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde). A clínica DaVita nega.
Há dois anos, uma pessoa alertou a clínica DaVita sobre o assunto, em avaliação no Google. “Penso que precisam se preocupar mais com o risco de infecções, lavagens de capilares, desinfecção no local da fístula. Estão ocorrendo sempre infecções em corrente sanguínea, por favor, vejam isso mais de perto”, escreveu.
A Vigilância Sanitária Estadual informa que a reutilização de capilares até 20 vezes para o mesmo paciente não é proibida, “desde que mantenha processos rigorosos de limpeza e desinfecção” e “caso o capilar esteja íntegro e em pleno funcionamento”.
3ª maior clínica de hemodiálise do SUS em MS
A clínica DaVita, no bairro São Francisco, em Campo Grande, é a terceira maior de Mato Grosso do Sul em atendimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A unidade possui 57 aparelhos de hemodiálise e atende 273 pessoas, com uso exclusivo do sistema público.
A segunda unidade da DaVita, na Rua Antônio Maria Coelho, é a segunda maior. A clínica destina 50 aparelhos de hemodiálise ao SUS, com 300 pacientes.
Inclusive, pacientes do interior de Mato Grosso do Sul recebem atendimento nessas unidades de saúde. Outra publicação expõe que, além de moradores da Capital, pessoas de outras 16 cidades do Estado são encaminhadas para hemodiálise na DaVita. Pelo menos duas pessoas que passaram mal eram do interior.
A DaVita possui convênio para receber incentivo financeiro público para a Atenção Especializada em Doença Renal Crônica, o que inclui custeio das sessões de hemodiálise e ampliação do acesso à diálise peritoneal para pacientes crônicos no SUS.


