Medalhista paralímpico e jovem promessa: dupla de MS busca apoio para Brasileiro de Parabadminton
Aos 44 anos, com duas medalhas paralímpicas no currículo e quase três décadas dedicadas ao paradesporto, Jean Adriano Rodrigues poderia facilmente ocupar apenas o papel de mentor. Mas a vida esportiva lhe apresentou um novo desafio: recomeçar.
Depois de defender a Seleção Brasileira de Futebol de 7 para atletas com paralisia cerebral entre 2000 e 2011 e conquistar medalhas paralímpicas na modalidade, Jean precisou se reinventar. O futebol de 7 PC deixou o programa paralímpico; então, ele migrou para o atletismo e, posteriormente, viu sua classe funcional deixar de integrar o programa da modalidade.
Foi então que procurou a treinadora Rosalba Santomo, da Associação ARS, em Campo Grande. A resposta veio em forma de uma nova paixão: o parabadminton.
Agora, o experiente atleta divide a quadra e os sonhos com Suzanne Sena, de apenas 15 anos, uma das promessas do paradesporto sul-mato-grossense. Juntos, eles disputarão a etapa do Campeonato Brasileiro de Badminton e Parabadminton, entre os dias 24 e 30 de agosto, em Niterói (RJ). A viagem, porém, depende de apoio financeiro para custear hospedagem, alimentação e transporte local.
Uma jovem promessa
Enquanto Jean acumula experiências em competições nacionais e internacionais, Suzanne ainda está dando os primeiros passos em uma trajetória que sonha levar até os Jogos Paralímpicos.
Ela conheceu o badminton aos 10 anos, quando um professor apresentou a modalidade na escola. Desde então, encontrou no esporte um espaço onde suas limitações não definem suas possibilidades.
“Eu sempre pensei que nunca ia funcionar em um esporte por causa da minha deficiência. Quando percebi que no badminton eu conseguia realizar várias coisas, me agarrei nisso. Desde então, estou até hoje e gosto muito”, conta.
A jovem atleta disputa tanto o badminton convencional quanto o parabadminton. Entre títulos estaduais e participações em competições escolares, ela agora terá a primeira oportunidade de representar Mato Grosso do Sul em um campeonato brasileiro da modalidade.
“É uma coisa que eu sempre esperei. Meu sonho é viajar para outros estados e até para outros países para competir. Estou treinando muito e a expectativa é de ficar entre as primeiras colocadas”, afirma.
A estreia na dupla ao lado de Jean também aumenta a ansiedade. “Vai ser a primeira vez que vou jogar dupla no parabadminton. A gente começou a treinar recentemente e está dando certo. Estou muito animada.”
Campeão aprendiz
Para Jean, a nova modalidade trouxe sensações que ele não experimentava há muito tempo. “Comecei no paradesporto em 1998. O futebol de 7 foi minha primeira modalidade, depois veio o atletismo e agora o badminton é a terceira. Gostei porque é um esporte que exige muita estratégia e mudança de ritmo durante as partidas. Fui pegando gosto cada vez mais.”
Apesar da bagagem construída ao longo de quase 30 anos, ele diz que continua aprendendo diariamente. “A gente procura repassar o que aprendeu ao longo dos anos no paradesporto, a questão da concentração e da calma nas competições. Mas eu também aprendo muito. A Suzanne tem muito potencial.”
O veterano vê na parceira uma atleta capaz de chegar longe. “Ela tem um desenho do sonho dela, que é disputar uma Paralimpíada. Eu falei para ela colocar em uma moldura e olhar todos os dias, para nunca desistir. Ela tem capacidade para isso.”
Segundo Jean, o Campeonato Brasileiro pode ser decisivo para o futuro da jovem atleta. “Essa competição é uma vitrine. Os técnicos da seleção observam os atletas. Ela já está no radar e tem uma grande capacidade.”
Construindo sonhos com poucos recursos
A treinadora Rosalba Santomo acompanha de perto essa união entre experiência e juventude. Há quatro anos à frente da ARS, associação sem fins lucrativos dedicada ao badminton e ao parabadminton, ela trabalha para ajudar na manutenção e divulgação da modalidade no Estado.
“O Jean já era atleta paralímpico e nos procurou para continuar sendo atleta de alto rendimento. A Suzanne já é conhecida nos Jogos Escolares e sempre sonhou em disputar um Brasileiro fora do ambiente escolar. Hoje os dois representam muito bem essa nova fase do parabadminton em Mato Grosso do Sul”, afirma.
Rosalba destaca que a modalidade ainda busca espaço no Estado. “Em Mato Grosso do Sul, o badminton ainda está aprendendo a andar. Queremos mostrar como o esporte é interessante e divulgar a modalidade. Não temos patrocinadores fixos e estamos sempre correndo atrás de apoio.”
A Fundesporte (Fundação de Desporto e Lazer de Mato Grosso do Sul) garantiu as passagens aéreas da delegação, mas os demais custos continuam sendo um desafio.
Como ajudar
Segundo Jean, a ARS atende gratuitamente atletas, muitos deles oriundos de famílias de baixa renda. “Se o clube arcar sozinho com todas as despesas dessa viagem, faltará recurso para o dia a dia da associação e para os jovens que estão começando. O projeto é maravilhoso, mas precisa de apoio.”
Além da competição em Niterói, bons resultados podem abrir caminho para novas etapas nacionais e oportunidades futuras para os atletas. “Contamos com a sociedade, patrocinadores e a vaquinha. Qualquer valor ajuda. De pouco em pouco conseguimos chegar ao montante necessário para representar Mato Grosso do Sul da melhor maneira possível”, diz.
As doações podem ser feitas pela chave Pix (CPF): 974.323.691-00


