Na Sefaz há 18 anos, servidor morto por ex-prefeito estava lotado na agência fazendária
O servidor estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, era servidor da Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda) há 18 anos e atualmente esta lotado da Agenfa (Agência Fazendária de Campo Grande).
A agência é destinada ao atendimento do contribuinte (pessoa física ou jurídica), funcionando como postos físicos para resolver questões burocráticas relacionadas a tributos estaduais. Roberto foi morto a tiros nesta terça-feira (24) pelo ex-prefeito Alcides Bernal, em uma residência no Bairro Jardim dos Estados.
Ele deixa esposa e três filhos. O Sindifiscal/MS (Sindicato dos Fiscais Tributários do Estado de Mato Grosso do Sul) emitiu nota lamentando a morte do colega.
“Neste momento de profunda dor, a Diretoria Executiva manifesta suas mais sinceras condolências à família e aos amigos, e reafirma que prestará todo o apoio necessário, inclusive acompanhando de forma diligente a apuração dos fatos, na busca para que a justiça seja devidamente alcançada”, traz o texto.
Segundo o sindicato, Roberto desempenhou funções como Coordenador de Controle da Despesa da SEFAZ/MS, atuou no Cadastro Fiscal e no canal “Fale Conosco”, e, atualmente, estava na Agenfa.
Bernal alega legítima defesa
O ex-prefeito Alcides Bernal, de 60 anos, alega legítima defesa em relação ao assassinato do servidor público. O crime ocorreu durante a tarde desta terça-feira (24), em uma casa na Avenida Antônio Maria Coelho, e Bernal foi detido em flagrante.
A casa onde o crime ocorreu pertencia ao ex-prefeito, no entanto, estava leiloada. Roberto teria ido até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi atingido por ao menos dois tiros.
Casa leiloada
A casa foi a leilão após dívida por falta de pagamento do financiamento com a Caixa Econômica Federal, que tomou a residência e colocou à leilão. Paralelamente, uma sentença contra Bernal de quando foi prefeito de Campo Grande, entre 2013 e 2014, também mira o imóvel para penhora.
Na época, ele assinou aditivos no convênio com a Omep e Seleta para contratação de servidores. Conforme denúncia do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), o objeto dos convênios seria “a preservação e ampliação das ações de atenção e de atendimento à criança e ao adolescente de Campo Grande”.
Entretanto, os acordos foram usados para contratar servidores para diversas áreas, sem concurso público, para atender a interesses políticos e desviar recursos públicos que desrespeitaram a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Com isso, Bernal foi condenado a uma multa civil de R$ 1 milhão, em 2022. O MP entrou com ação para o cumprimento de sentença ainda naquele ano, corrigindo os valores para R$ 1.928.668,74 — o que gerou a penhora da casa, avaliada em R$ 3,7 milhões.
Entretanto, a Caixa Econômica Federal colocou o imóvel à venda por R$ 2,4 milhões.

