O que é Discord? Plataforma é alvo de pedidos de suspensão após morte de adolescente em MS
A plataforma Discord, um espaço virtual criado para reunir gamers, se tornou assunto nacional após a transmissão ao vivo da morte de uma adolescente, que foi induzida por criminosos a tirar a própria vida, em Aquidauana, em Mato Grosso do Sul. O caso de grande repercussão chegou ao conhecimento de muitos famosos brasileiros, inclusive da primeira-dama Janja Lula da Silva, que pediu a suspensão da plataforma no Brasil.
Mas o que é realmente o Discord e para que fins ele serve? O crime pode ser cometido por meio dessas plataformas sem que elas sejam punidas? É possível identificar os criminosos mesmo que deletem suas contas na rede?
O Discord, desde sua criação em 2015, surgiu como uma plataforma de comunicação que permite conversas por texto, voz e vídeo, além de transmissões em tempo real. O aplicativo nasceu há 11 anos como uma ferramenta mais “exclusiva” para jogadores on-line, mas se transformou em uma rede social usada por todas as comunidades, em parte, por causa da popularização durante a pandemia de Covid.
Mas, apesar de ser um ambiente aberto para conversa e interação entre todos os públicos, inclusive os adolescentes, a plataforma não possui nenhum tipo de moderação ativa, o que abre espaço para outros grupos: os criminosos.
Morte transmitida pelo App
Um desses grupos foi o envolvido na Operação Lívia, deflagrada pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da DEPCA (Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente), que prendeu um homem de 18 anos e apreendeu outros 5 adolescentes.
Entre os envolvidos, o cabeça do grupo, estava uma adolescente de 17 anos, apreendido em Aquidauana, que teria orquestrado a morte da adolescente no dia 22 de julho, em Naviraí. Os comparsas utilizavam diversas plataformas digitais para aliciar, manipular e submeter crianças e adolescentes a graves formas de violência psicológica, desafios extremos, automutilação e até mesmo o suicídio.
Segundo as investigações, os integrantes mantinham atuação permanente em diferentes plataformas digitais, entre elas o Discord, onde recrutavam crianças e adolescentes, formando grupos fechados destinados à manipulação psicológica das vítimas. Após conquistarem a confiança, eles submetiam as vítimas a um processo contínuo de coação, isolamento e violência psicológica.
A polícia conseguiu identificar desafios de violência, automutilação, humilhações, exposição degradante e outras exigências impostas pela organização para fortalecer o domínio sobre as vítimas, chegando, em casos extremos, à indução do suicídio.
Pedidos de suspensão
Após a morte da adolescente, vários famosos usaram as redes sociais como forma de manifestação e de pedidos para que a plataforma fosse suspensa e investigada pelos crimes cometidos por grupos criminosos dentro dos espaços de conversa do aplicativo.
Entre os pedidos, um dos que mais ganhou repercussão foi o da primeira-dama do Brasil, Janja Lula da Silva, que pediu pelo bloqueio imediato do Discord e disse que o governo precisa achar instrumentos legais para tirar a plataforma do ar o quanto antes.
“Eu acho que a gente precisa retirar imediatamente o Discord do ar. É um apelo que eu faço. A gente precisa bloquear o Discord no Brasil de qualquer forma. A gente precisa encontrar os instrumentos legais. Este não é um caso isolado; são muitos e muitos casos e a gente precisa atuar com o Judiciário para tirar essa rede horrorosa do ar”, afirma Janja.
Além disso, a primeira-dama teria afirmado que a empresa poderia ser cúmplice do que acontece dentro da plataforma, nomeando os espaços como “submundos”.
“O grupo responsável tem que ser criminalizado, mas a plataforma é cúmplice disso, e a gente precisa, urgente, encontrar os instrumentos jurídicos para essa plataforma ser banida do Brasil”, diz.
O que diz o Discord?
Após o ocorrido, a plataforma Discord emitiu nota, afirmando estar comprometida com a segurança dos usuários e dizendo ter colaborado com as autoridades sobre o caso da adolescente de MS. Confira:
“O Discord não tolera a atuação de grupos ou indivíduos extremistas em sua plataforma. Estamos comprometidos com a segurança dos usuários e contamos com equipes dedicadas a interromper a atuação desses grupos, remover conteúdos que violem nossas regras e adotar medidas contra os responsáveis por essas condutas. O Discord mantém um diálogo contínuo com o sistema judiciário brasileiro, incluindo o Ministério da Justiça, e busca cooperar com as investigações das autoridades brasileiras de acordo com a lei. Neste caso, o Discord compartilhou proativamente informações com as autoridades que contribuíram para as operações que resultaram na prisão dos envolvidos”.


